O limite de 700 custom fields do Jira não vale para o site inteiro
O Jira Cloud limita custom fields a 700 por space, e não no site inteiro, e um mesmo campo pode contar em vários spaces ao mesmo tempo. O que os guardrails da Atlassian dizem de fato, o que acontece quando um space chega no limite, e em que ordem auditar.
O Jira Cloud limita custom fields a 700 por space, e não 700 no site inteiro. A documentação de guardrails da Atlassian diz as duas metades disso com todas as letras: o limite é “700 per space (fields included in field configuration schemes associated with the space)” e “there is no limit on the total number of custom fields that can exist across the site”. A cobrança desse limite começou em março de 2026.
Essa diferença pesa mais do que parece. Se você vinha contando o total do site e se desesperando, ou contando e ficando tranquilo, estava olhando para o número errado.
O que o limite conta de verdade
Ele conta os campos que um space alcança através dos seus field configuration schemes. Não os campos que existem. Não os campos que alguém usa.
A consequência está em mais uma frase da mesma página: “a field can count toward more than one space if it is included in schemes associated with those spaces”.
Ou seja, um único campo ligado a quarenta schemes conta quarenta vezes, não uma. A sua exposição não é o total de campos dividido pelo número de spaces. É o que o seu pior space está carregando, e uma média bonitinha esconde fácil um space que está a dois campos do limite.
Campos na lixeira já saíram da conta
“Trashed fields don’t count toward the 700-field limit.”
Vale saber antes de planejar qualquer coisa drástica, porque muda o que conta como progresso. Mandar um campo para a lixeira já reduz o número, e é bem mais fácil de aprovar do que uma exclusão.
O que acontece quando um space chega no limite
“If a space reaches either limit, Jira prevents an administrator from associating additional fields or work types with that space until usage is reduced.”
Leia com calma, porque é bem menos dramático do que a palavra “limite” sugere. Nada é apagado. Nada é arquivado nem desativado. As pessoas seguem criando e atualizando itens de trabalho naquele space. Os outros spaces não são afetados. O que para é a sua capacidade, como administrador, de ligar qualquer coisa nova àquele space específico.
É um bloqueio administrativo, não uma queda. Isso muda a urgência, e muda também para quem você explica o assunto: quem sente primeiro é o admin com uma solicitação de mudança na mão, não o usuário.
Por que “por space” muda a limpeza que você faz
Se o limite fosse do site inteiro, o trabalho seria simples e bruto: apagar campos até o número cair.
Como é por space, o trabalho é outro. Você está reduzindo a exposição nos spaces mais próximos do limite, o que não é a mesma tarefa e quase nunca são os mesmos campos.
Duas consequências que pegam todo mundo de surpresa:
- O campo caro é o que está ligado em todo lugar. Um campo que um time usa de verdade, mas que está em todos os schemes do site, custa uma posição em cada space. É um alvo de limpeza melhor do que um campo que ninguém usa e que só existe em um space tranquilo.
- Apagar campos sem uso em um space saudável não compra nada. Dá sensação de produtividade. Não mexe em nenhum número que o Jira esteja de fato cobrando.
Em que ordem auditar
- Ordene os seus spaces por proximidade dos 700. Todo o resto é ruído até você saber onde está a pressão. Um space em 680 é um problema; quarenta spaces em 200 não são.
- Dentro desses spaces, ache os campos sem uso real. Não os que parecem sem uso. Os que não recebem escrita, com data para comprovar.
- Ache as duplicatas. Anos de migrações e de admins que foram embora deixam “Cliente”, “Nome do Cliente” e “Customer” significando a mesma coisa em três telas diferentes.
- Veja de onde cada campo veio. Apps desinstalados costumam deixar os campos para trás, e esses são os mais fáceis de justificar, porque não têm dono.
- Só então olhe telas e contextos, para saber o que uma remoção vai tocar antes de tocar.
Antes de remover qualquer coisa, exporte
Apagar um custom field no Jira leva os dados dele junto, em todo lugar, e não existe desfazer para os valores. Exporte o inventário completo antes: campo, tipo, origem, telas, contextos, último uso e quais projetos usam. Se a limpeza se mostrar errada, a exportação é o único registro de como a configuração era.
Esse também é o artefato que torna o trabalho defensável. “Removemos 180 campos” é uma história. Um CSV de antes e depois é prova, e é o que uma migração ou uma auditoria vai pedir lá na frente.
Onde o Field Scout entra
A gente publica o Field Scout, um app gratuito em Forge que faz exatamente essa auditoria e mais nada.
Ele classifica cada custom field como Active, Stale, Likely Unused ou Unused a partir do uso real no Jira, e não de achismo, aponta possíveis duplicatas por nome exato e por nome parecido, abre o uso por projeto, mostra de qual produto ou app cada campo veio, e exporta o inventário inteiro em CSV em quatro modos, incluindo uma lista de limpeza e uma auditoria de telas. Roda em Atlassian Forge, dentro do seu próprio ambiente Atlassian, e lê o seu Jira em vez de editar, então rodar a auditoria não cria nada para você desfazer depois.
É gratuito no Atlassian Marketplace. Se você preferir fazer isso com JQL e uma planilha, a ordem acima continua valendo, e continua sendo a ordem certa.
Resumindo
O número para acompanhar é o seu pior space, não o seu site. Um campo conta uma vez em cada space que consegue alcançá-lo. Campos na lixeira já pararam de contar. E bater no limite bloqueia um administrador, não um usuário, o que te dá tempo de fazer a limpeza direito em vez de na correria.
A gente constrói apps do Atlassian Marketplace.
Apps em Forge para Jira e Confluence Cloud que rodam dentro do seu próprio ambiente Atlassian. Seus dados ficam onde já estão, e a sua análise de segurança cobre uma plataforma que você já aprovou.
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